quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O Dono da Lua - Parte I


Há muito, muito tempo atrás, em uma noite de lua cheia, viu-se um brilho fora do comum. E no meio da selva, em um amontoado de gramíneas, apareceu um bebê. Era um menino. À primeira vista, pensava-se que ele era careca, mas, na verdade, tinha cabelos claros demais para enxergar de longe. Seus olhos eram cinza-prateados, da cor da lua. Foi encontrado por um casal que o chamou de Luca e criou-o como se fosse seu próprio filho, apesar de não serem nem um pouco semelhantes.
Os olhos de Luca acompanhavam as fases da lua, ficando mais escuros quanto menos ela aparecesse no céu. Nas noites de lua cheia, ele era dono de duas esferas prateadas cintilantes. Nunca se viu olhos como os dele, nem cabelos, e nem entendeu-se o porquê de ele falar latim fluente antes mesmo de aprender a língua que os pais adotivos lhe ensinaram.
Ele ficava ainda mais claro quando pegava sol. Parecia ficar bronzeado quando tomava banhos de lua. O mais curioso era que, quando visitava o local aonde os pais diziam tê-lo encontrado, seu coração batia muito forte e seu corpo enchia-se do que pareciam ser letras prateadas com dizeres em latim, aparentemente ensinando-lhe a controlar as marés.

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